sábado, 15 de dezembro de 2012

Abaixem as armas


Crianças de rua em São Paulo


A cidade está fria
Corredores vazios
Corações iludidos
E um sorriso sombrio.

A criança ainda sonha
No mundo perdido
Espera risonha
O amor prometido.

Larguem as armas
A lembrança é crua
Eram anjos sem asas
Correndo nas ruas.

Abaixem as armas
O caos e o medo
A vida disfarça
Cenários, enredo.

Sistemas e capital
Quem pode garantir
O sentido do real
E a existência do devir?

Desumano e banal
Avesso ao horizonte
Abarcado pelo mal
O mundo se consome.


Robson Muller .

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quando o coração fica livre para voar


 
 

Quando o coração fica livre para voar

E a alma se desprende do âmago da dor

Ele palpita e espera pelo mar

Ondas infinitas, coloridas de amor.
 

Quando o coração fica livre para voar

E os pés descobrem um novo mundo

O sorriso absoluto canta para deleitar

A canção de amor escrita no fundo.
 

Quando o coração fica livre para voar

E o amor acontece de repente

Os olhos se entregam na ingenuidade ocular

Como a brisa branda que se sente
 

Quando o coração fica livre para voar

E a vida se enche de planos

A dança faz sentido como se fosse flutuar

Numa varanda decorada com sonhos
 

Quando o coração fica livre para voar

E o destino escreve outros versos

O tempo parece congelar

Como fotografias de sorrisos inversos.
 

O coração está livre para amar

E o amor entrelaçado à trajetória

Sonhando para quando o bem-querer chegar

Redigir uma nova história.
 

Robson Muller

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Criança livre no vento






A manhã despertou
Trazendo novos planos
Aquelas palavras foram jogadas
E se perderam depressa.


Depois da janela
Uma vida lá fora
Aguardava-me
Ansiosa e contente.


A confiança consome
Caminho leve e risonho
Sentimento frustrado?
Ou amor esgotado?


Quando o amor se apaga
O mundo seduz
Chama pra viver
Dançar, se perder por aí.


Livre, agora
Sou da noite
Sou das ruas
Sou da vida!


Longe daquele amor
Que foi domado
Ironizado
É passado.


Não volte amor
Preciso de um tempo
Sem suas prisões
Regimes e pretensões.


Sem você sou criança
Correndo no vento
Sou pássaro, infância
Liberdade e talento.

Robson Muller.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Cartas na gaveta



No fim da tarde posso ouvir sua voz mansa
Sentindo as intenções na timidez do olhar
O silêncio que me diz tantas coisas às vezes
Também inquieta minhas expectativas.

Estive caminhando solto na brisa do verão
Pensando nas cartas guardadas na gaveta
É estranho não querer vasculhar o cômodo
Estou distante da angústia que atormentava.

Parece que as gavetas do coração não abrem
Estão fechadas com a chave da razão
Acredito que você chegou bem perto e voltou
Ameaçou habitar esse coração isolado.

Apesar dos passos inseguros no corredor escuro
Sinto como se pudesse libertar essa dor
Soltar o coração que está preso na gaiola
Como um pássaro ansioso para voar.

E quando estive livre fui vulnerável
Deixei escapar minhas fraquezas
A fragilidade contida na insegurança
Até imaginei seu abraço sincero.

Pensei em escrever uma nova carta
Encaminhá-la para um destino novo
Não soube me encontrar nessa trilha ideal
As palavras se perderam na falta de você.

Robson Muller.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O tom do amor



Amor que canto
Amor que vivo
Amor que leva meu bem.

Amor que sinto
Amor que inspiro
Amor que vai e vem.

Amor que guardo
Amor que espero
Amor que faz estremecer.

Amor que sonho
Amor que busco
Amor que tantos almejam ter.

Se o tempo traz a glória
Em versos simples vou
Escrevendo a nossa história.

Se o tempo instiga o dom
Em traços livres vou
Pintando o nosso tom.

Robson Muller.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Deixe o bobo coração.



Vai embora
Não volte atrás
Segue sua escolha
Leve meu passado.

Não esqueça
Leve minha insônia
Minhas lágrimas
E toda frustração também.

Leve minhas armas
Os escudos
A face insegura
Seu egocentrismo peculiar.

As flores que murcharam
As cores desbotadas
As noites mal amadas
Nossa história derrotada.

Deixe seu cheiro longe
Longe da minha pele
Das lembranças de outrora
Deixe minha vida.

Largue minhas vontades
Meus sonhos
Planos que te rodeavam
Largue meu futuro incerto.

Vai buscar razões
De viver sem meu amor
Vai degustar sua vida solta
Se perdendo em outros braços.

Vai e não volte mais
Se perca no caminho
Não se preocupe com a minha força
Vou me encontrar na sua perdição.

Robson Muller

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pedro e Maria.


                                          
                                                                   (Imagem: Alan Salomão).

Em passos alargados
Encontrava-se distante
Entre sonhos almejados
Procurava o romance.

Com certo carinho
Oferecia tais flores
Cruzando o caminho
Que revelava amores

Num delicado gesto doce
Em manhã de outono
Começava às dose
Um encontro risonho.

Pedro e Maria sorriam
Encontraram a felicidade
Aventuras de amor viviam
Amavam-se de verdade.

Maria e Pedro dançavam
Samba, bossa e merengue
Com fôlego representavam
A alegria da nossa gente.

O amor chegou contente
Casou Pedro e Maria
Hoje vivem calmamente
Em boas terras na Bahia.

Robson Muller.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Escrevo.




É como o efeito de algumas taças de vinho que vão te deixando distante da sobriedade. Quando escrevo posso me embriagar nas curvas do texto e envolver na experiência uma infinidade de sensações que pulsam ao mesmo tempo. Às vezes escrevo para aliviar o que está me bagunçando por dentro, noutras vezes, para partilhar a alegria de um bom momento. No universo dos devaneios posso viajar em pensamentos que desmoronam e se traduzem em versos. Sou amante da poesia que descreve sentimentos, amarra a angústia das lembranças doloridas na arte de escrever, transforma a vida vazia num conto literário cheio de sensibilidade. Pinta as cores vibrantes da paixão em cima dos tons claros do amor, põe pra fora as dores internas e as alheias também. Num delicado ato violento, a poesia devora o sentido das palavras no mesmo instante em que cospe suas intenções. Continuo escrevendo porque costumo me perder da consciência, geralmente me encontro nas emoções pretéritas e imagino as linhas em branco do futuro. Escrevo para saciar a sede das inquietações, para desvendar mistérios que moram dentro da razão, escrevo porque vivo.

Robson Muller.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Verbalizando um sentimento estranho.



Olha nos olhos
Entrega aquele sorriso
Libera o perfume
E segue minha vida.

Aperta em minhas mãos
Encosta no rosto
Sente de perto
E aceita o calor.

Caminha devagar
Entrega teu charme
Corre na chuva comigo
E deixa enxugar teu corpo.

Pense com carinho
Lembre do nosso mundo
Escreve uma carta minha
E receba flores no fim do dia.

Toma o vinho tinto
Ri do jeito atrapalhado
Fala perto do ouvido
E deixa encher seu coração.

Usa o vestido branco
Canta uma canção de amor
Diz que quer dividir tua vida
E permita te fazer sorrir.

Dança no meu ritmo
Celebre o nosso amor
Foge do que é monótono
E abraça minha vida agitada.

Vem pro meu lado
Sonha infinito
Traz teu encanto
Casa comigo?

Robson Muller.