sexta-feira, 6 de abril de 2012

Cartas na gaveta



No fim da tarde posso ouvir sua voz mansa
Sentindo as intenções na timidez do olhar
O silêncio que me diz tantas coisas às vezes
Também inquieta minhas expectativas.

Estive caminhando solto na brisa do verão
Pensando nas cartas guardadas na gaveta
É estranho não querer vasculhar o cômodo
Estou distante da angústia que atormentava.

Parece que as gavetas do coração não abrem
Estão fechadas com a chave da razão
Acredito que você chegou bem perto e voltou
Ameaçou habitar esse coração isolado.

Apesar dos passos inseguros no corredor escuro
Sinto como se pudesse libertar essa dor
Soltar o coração que está preso na gaiola
Como um pássaro ansioso para voar.

E quando estive livre fui vulnerável
Deixei escapar minhas fraquezas
A fragilidade contida na insegurança
Até imaginei seu abraço sincero.

Pensei em escrever uma nova carta
Encaminhá-la para um destino novo
Não soube me encontrar nessa trilha ideal
As palavras se perderam na falta de você.

Robson Muller.

quinta-feira, 15 de março de 2012

O tom do amor



Amor que canto
Amor que vivo
Amor que leva meu bem.

Amor que sinto
Amor que inspiro
Amor que vai e vem.

Amor que guardo
Amor que espero
Amor que faz estremecer.

Amor que sonho
Amor que busco
Amor que tantos almejam ter.

Se o tempo traz a glória
Em versos simples vou
Escrevendo a nossa história.

Se o tempo instiga o dom
Em traços livres vou
Pintando o nosso tom.

Robson Muller.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Deixe o bobo coração.



Vai embora
Não volte atrás
Segue sua escolha
Leve meu passado.

Não esqueça
Leve minha insônia
Minhas lágrimas
E toda frustração também.

Leve minhas armas
Os escudos
A face insegura
Seu egocentrismo peculiar.

As flores que murcharam
As cores desbotadas
As noites mal amadas
Nossa história derrotada.

Deixe seu cheiro longe
Longe da minha pele
Das lembranças de outrora
Deixe minha vida.

Largue minhas vontades
Meus sonhos
Planos que te rodeavam
Largue meu futuro incerto.

Vai buscar razões
De viver sem meu amor
Vai degustar sua vida solta
Se perdendo em outros braços.

Vai e não volte mais
Se perca no caminho
Não se preocupe com a minha força
Vou me encontrar na sua perdição.

Robson Muller

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Pedro e Maria.


                                          
                                                                   (Imagem: Alan Salomão).

Em passos alargados
Encontrava-se distante
Entre sonhos almejados
Procurava o romance.

Com certo carinho
Oferecia tais flores
Cruzando o caminho
Que revelava amores

Num delicado gesto doce
Em manhã de outono
Começava às dose
Um encontro risonho.

Pedro e Maria sorriam
Encontraram a felicidade
Aventuras de amor viviam
Amavam-se de verdade.

Maria e Pedro dançavam
Samba, bossa e merengue
Com fôlego representavam
A alegria da nossa gente.

O amor chegou contente
Casou Pedro e Maria
Hoje vivem calmamente
Em boas terras na Bahia.

Robson Muller.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Escrevo.




É como o efeito de algumas taças de vinho que vão te deixando distante da sobriedade. Quando escrevo posso me embriagar nas curvas do texto e envolver na experiência uma infinidade de sensações que pulsam ao mesmo tempo. Às vezes escrevo para aliviar o que está me bagunçando por dentro, noutras vezes, para partilhar a alegria de um bom momento. No universo dos devaneios posso viajar em pensamentos que desmoronam e se traduzem em versos. Sou amante da poesia que descreve sentimentos, amarra a angústia das lembranças doloridas na arte de escrever, transforma a vida vazia num conto literário cheio de sensibilidade. Pinta as cores vibrantes da paixão em cima dos tons claros do amor, põe pra fora as dores internas e as alheias também. Num delicado ato violento, a poesia devora o sentido das palavras no mesmo instante em que cospe suas intenções. Continuo escrevendo porque costumo me perder da consciência, geralmente me encontro nas emoções pretéritas e imagino as linhas em branco do futuro. Escrevo para saciar a sede das inquietações, para desvendar mistérios que moram dentro da razão, escrevo porque vivo.

Robson Muller.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Verbalizando um sentimento estranho.



Olha nos olhos
Entrega aquele sorriso
Libera o perfume
E segue minha vida.

Aperta em minhas mãos
Encosta no rosto
Sente de perto
E aceita o calor.

Caminha devagar
Entrega teu charme
Corre na chuva comigo
E deixa enxugar teu corpo.

Pense com carinho
Lembre do nosso mundo
Escreve uma carta minha
E receba flores no fim do dia.

Toma o vinho tinto
Ri do jeito atrapalhado
Fala perto do ouvido
E deixa encher seu coração.

Usa o vestido branco
Canta uma canção de amor
Diz que quer dividir tua vida
E permita te fazer sorrir.

Dança no meu ritmo
Celebre o nosso amor
Foge do que é monótono
E abraça minha vida agitada.

Vem pro meu lado
Sonha infinito
Traz teu encanto
Casa comigo?

Robson Muller.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Alagoas representa região Nordeste em festival nacional de literatura em vídeo.


"O Cidadão de Papel", produzido no interior do estado, é finalista e concorre com outros nove trabalhos literários.

Mais uma vez Alagoas terá representante em festival nacional, o curta-metragem compõe a lista com os 10 vídeos selecionados para concorrer ao 2º festival de literatura em vídeo que acontece em São Paulo no dia 16 de fevereiro. Evento almeja promover a cultura, incentivar interesse pela arte audiovisual e descobrir talentos envolvidos em diversos pontos do país.

Refletindo problemas que descrevem a realidade social brasileira, “O Cidadão de Papel” inspirado na obra do jornalista Gilberto Dimenstein trabalha questões como a desigualdade social, ausência da qualidade na educação, desrespeito aos idosos e prostituição infantil. O curta-metragem conta com a participação de estudantes da escola Conceição Lyra em São Miguel dos Campos (AL) e direção do professor Salomão D’Luna, responsável pela composição da música “Escuridão” presente no enredo musical do vídeo.

Na primeira edição do Festival Literatura em Vídeo, realizada em 2011, a escola Conceição Lyra teve seu trabalho selecionado como finalista. “Meninas da noite", também inspirado na obra de Gilberto Dimenstein e dirigido por Salomão D’Luna, foi o grande vencedor da categoria melhor filme pelo Júri Técnico. O filme retrata a triste realidade vivenciada por meninas que se envolvem no mundo da prostituição, além de levantar questões como a pedofilia e o abuso sexual ocasionado dentro do próprio ambiente familiar.

Alagoas é o único estado do Nordeste que possui representante no evento. Apesar do talento que se confirma em mais um trabalho selecionado, é lamentável se ter a consciência da restrita valorização existente no estado. A arte transforma, possui grande potencial no combate a diversos problemas sociais e incentiva o interesse pela cultura. Porém, infelizmente existe pouco interesse na disseminação cultural e pouco investimento em órgãos públicos responsáveis pela arte alagoana.

O talento existe! Alagoas é um estado extremamente rico em cultura e abriga grandes artistas, mas, falta oportunidade para expandir a capacidade e favorecer o enriquecimento artístico dos talentos da terra. “O cidadão de Papel” é um bom exemplo do que está sendo exposto na prosa. A arte que reflete a realidade como forma de protesto pelo descaso. O estado será vitrine em concurso nacional de literatura em vídeo, entretanto, muitos desconhecem. Os bons frutos da nossa terra precisam ser enxergados com mais cuidado por quem a semea.

-Robson Muller

Acesse o link e vote em “O Cidadão de Papel”, nosso representante alagoano, para melhor filme na categoria Júri Popular do 2º Festival Literatura em Vídeo: www.literaturaemvideo.com.br.

Assista ao curta-metragem “Meninas da Noite” vencedor pela categoria Júri Técnico da primeira edição do Festival Literatura em Vídeo realizado em 2011.


Da poesia à notícia, o blog Devaneios em Versos resolveu apostar em um novo formato textual para cobrir uma notícia relevante no cenário artístico da nossa terra. O talento de uma equipe que está levando pela segunda vez nossa arte alagoana para um concurso nacional de literatura audiovisual. Duas obras do jornalista Gilberto Dimenstein foram escolhidas para inspirar produções que refletem a realidade através da literatura.